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segunda-feira, janeiro 21, 2008

Catulo, 13 - Outra tradução

Cenabis bene, mi Fabulle, apud me
paucis, si tibi di fauent, diebus,
si tecum attuleris bonam atque magnam
cenam, non sine candida puella
et uino et sale et omnibus cachinnis.
haec si, inquam, attuleris, uenuste noster,
cenabis bene: nam tui Catulli
plenus sacculus est aranearum.
sed contra accipies meros amores
seu quid suauius elegantiusuest:
nam unguentum dabo, quod meae puellae
donarunt Ueneres Cupidinesque;
quod tu cum olfacies, deos rogabis,
totum ut te faciant, Fabulle, nasum.


Jantarás bem, Fabulo, em minha casa,
muito em breve se os deuses te ajudarem,
se contigo levares farto e bom
jantar, e não sem fina artista, vinho,
graça e as risadas todas. Isso tudo,
se levares, encanto meu, garanto,
jantarás bem, pois teu Catulo tem
o bolso cheio de teias de aranha.
Em troca aceitarás meros amores
E o que há de mais suave ou elegante,
Pois um perfume te darei que à minha
Garota Vênus e os Cupidos deram,
Que ao sentires aos deuses vais pedir
Te façam, Fabulo, todo nariz.

[Tradução: João Angelo Oliva Neto]

Marcial # 5

Declamas belle, causas agis, Attice, belle;
historias bellas, carmina bella facis;
componis belle mimos, epigrammata belle;
bellus grammaticus, bellus es astrologus,
et belle cantas et saltas, Attice, belle;
bellus es arte lyrae, bellus es arte pilae.
Nil bene cum facias, facias tamen omnia belle,
uis dicam quid sis? Magnus es ardalio.

Tu lindamente declamas e lindamente advogas;
Histórias lindas tu fazes, Ático, lindos versos...
Mimos compões lindamente e lindamente,
[epigramas;
és um gramático lindo, um lindo astrólogo és.
Ó Ático, cantas lindo, e lindamente tu danças;
Na arte da lira és lindo, és lindo na arte da bola.
Embora não faças nunca nada bem, todavia
Tu sempre todas as coisas fazes tão lindamente...
Queres que eu diga o que és? Tu és um grande
[metido!

[Tradução: Ariovaldo A.Peterlini]

Marcial # 4

Cotile, bellus homo es: dicunt hoc, Cotile, multi.
Audio: sed quid sit, dic mihi, bellus homo?
"Bellus homo est, flexos qui digerit ordine crines,
balsama qui semper, cinnama semper olet;
cantica qui Nili, qui Gaditana susurrat,
qui mouet in uarios bracchia uolsa modos;
inter femineas tota qui luce cathedras
desidet atque aliqua semper in aure sonat;
qui legit hinc illinc missas scribitque tabellas;
pallia uicini qui refugit cubiti;
qui scit quam quis amet, qui per conuiuia currit,
Hirpini ueteres qui bene nouit auos."
Quid narras? Hoc est, hoc est homo, Cotile, bellus?
Res pertricosa est, Cotile, bellus homo.


Que homem lindo tu és, ó Cótilo, muitos dizem.
Isso eu ouço, mas me diz? O que é um homem lindo?
“Um homem lindo é quem traz bem repartido o
[cabelo
que sempre a bálsamo cheira, quem cheira o
[cinamomo
quem as cantigas do Nilo ou de Cádiz cantarola,
quem com meneios gentis move os braços depilados;
quem o dia inteiro passa entre mulheres sentado,
a sussurrar-lhes no ouvido sempre algum mexerico;
quem escreve e lê bilhetes, daqui, dali mandados;
quem sempre as vestes desvia dos cotovelos vizinhos,
quem sabe quem ama quem, quem corre pelos
[banquetes;
quem sabe os velhos avós até do cavalo Hirpino.”
Que me dizes? É isto, é isto um homem lindo, ó
[Cótilo?
Que coisa mais esquisita, ó Cótilo, é um homem
[lindo!

[Tradução: Ariovaldo A.Peterlini]

Horácio 4, 7: Outra tradução

Diffugere nives, redeunt iam gramina campis
arboribusque comae;
mutat terra vices et decrescentia ripas
flumina praetereunt;
Gratia cum Nymphis geminisque sororibus audet
ducere nuda choros.
immortalia ne speres, monet annus et almum
quae rapit hora diem.
frigora mitescunt zephyris, ver proterit aestas
interitura, simul
pomifer autumnus fruges effuderit, et mox
bruma recurrit iners.
damna tamen celeres reparant caelestia lunae;
nos ubi decidimus,
quo pius Aeneas, quo Tullus dives et Ancus,
pulvis et umbra sumus.
quis scit an adiciant hodiernae crastina summae
tempora di superi?
cuncta manus avidas fugient heredis, amico
quae dederis animo.
cum semel occideris et de te splendida Minos
fecerit arbitria,
non, Torquate, genus, non te facundia, non te
restituet pietas;
infernis neque enim tenebris Diana pudicuni
liberat Hippolytum,
nec Lethaea valet Theseus abrumpere caro
viucula Pirithoo.


Já fugiram as neves, torna aos campos
A relva, e a grenha às àrvores:
Muda a terra a estação, no leito correm
os rios já minguados:
Com as ninfas e irmãs gêmeas ousa a graça
Guiar despida os coros,
O ano, e a hora, que o almo dia rouba,
Te avisam, que não esperes
Coisa imortal: os frios se amaciam
Com os zéfiros, o estio
A primavera calca, precedeiro,
Quando espalhar os frutos
O pomífero outono: eis volta o inverno
Inerte; mas as luas
Presto reparam os celestes danos.
Nós mal caímos, onde
Éneas pio, rico Tulo e Anco
Já somos pó e sombra.
Quem sabe, os tempos de manhã se ajuntam
Aos de hoje os altos deuses?
Foge às àvidas mãos do herdeiro, quanto
Dás a teu gênio amigo.
Como uma vez morreres, e a esplendente
Sentença te der Minos,
Nem linhagem, Torquato, nem facúndia,
Nem virtude te livra;
Que nem das trevas infernais Diana
Casto Hipólito salva,
Nem as prisões de letes Teseu pode
Quebrar ao seu Piritôo.


[Tradução: Elpino Duriense]

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Horácio 4,7

Vão-se as neves e torna a grama aos campos
E as árvores as folhas;
O ano muda a terra,volta o rio
às margens, decrescendo.
graças e ninfas, gêmeas, ousam nuas
reger coros de dança.
Nada esperes do eterno, os anos fogem,
dias, horas te advertem.
Menos frios, mais zéfiros, Verão
expulsa primavera
por sua vez defunta às mãos do Outono,
que, com todos seus frutos,
pelo estéril Inverno é sucedido.
Céleres meses os celestes males
vão reparando; e nós
lá onde estão Enéias, Anco, Tulo...
Sombra e pó somos.
Mas quem sabe darão os deuses outro
tempo, esgotado o nosso?
-Ao menos salvarás de teus herdeiros
Torquato, o que gozaste:
Quando Minos esplêndido julgar-te
após morreres, não
te ressuscitarão tua eloquência,
tua estirpe, teus dotes:
Nem Diana do inferno arranca seu
Hipólito pudico,
Nem forças Teseu tem para livrar
seu Piritôo querido.

[Tradução: Mário Faustino]

domingo, dezembro 23, 2007

Catulo 16

Meu pau no cu, na boca, eu vou meter-vos,
Aurélio bicha e Fúrio chupador,
que por meus versos breves, delicados,
me julgastes não ter nenhum pudor.
A um poeta pio convém ser casto
ele mesmo, aos seus versos não há lei.
Estes só tem sabor e graça quando
são delicados, sem nenhum pudor,
e quando incitam o que excite não
digo os meninos, mas esses peludos
que jogo de cintura já não tem
E vós, que muitos beijos (aos milhares!)
já lestes, me julgais não ser viril?
Meu pau no cu, na boca, eu vou meter-vos.

Tradução de João Angelo Oliva Neto

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Catulo, 85

Odi et amo. Quare id faciam fortasse requiris
Nescio, sed fieri sentio et excrucior.


Odeio e amo. Talvez queiras saber "como?"
Não sei. Só sei que sinto e crucifico-me.

[Tradução: João Ângelo Oliva Neto]

Horácio, I.27

Natis in usum laetitiae scyphis
pugnare Thracum est; tollite barbarum
morem uerecundumque Bacchum
sanguineis prohibete rixis.

Vino et lucernis Medus acinaces
immane quantum discrepat; impium
lenite clamorem, sodales,
et cubito remanete presso.

Voltis seueri me quoque sumere
partem Falerni? Dicat Opuntiae
frater Megyllae quo beatus
uolnere, qua pereat sagitta.

Cessat uoluntas? Non alia bibam
mercede. Quae te cumque domat Venus
non erubescendis adurit
ignibus ingenuoque semper

amore peccas. Quicquid habes, age,
depone tutis auribus. A! miser,
quanta laborabas Charybdi,
digne puer meliore flamma.
Quae saga, quis te soluere Thessalis
magus uenenis, quis poterit deus?
uix inligatum te triformi
Pegasus expediet Chimaera.


Entre os copos brigar ao prazer dados,
É dos trácios:tirai bárbara usança,
E comedidos resguardai a Baco
de sanguinosas rixas.

Quão longe está do vinho, e das lucernas,
O medo alfange! Moderai, ó sócios,
Esse alarido ímpio e recostados
ficai ao curvo braço.

Quereis que eu também parte do severo
Falerno beba? De Megila Opuncia
Diga o irmão, com que golpe, com que seta,
Afortunado morra.

Não quer? Pois eu não bebo de outra sorte:
Qualquer que seja o teu amor, não ardes
Em vergonhosas chamas; sempre pecas
Por um amor decente.

Eia tudo que tens, em meus ouvidos
fiéis depõe! Ah! Mísero mancebo,
Em qual Caribde lidas afanado,
Digno de melhor chama!

Qual bruxa, ou mago com os tessálios filtros,
Qual Deus soltar-te poderá! Apenas
Te livrará, o Pégaso, ligado
à triforme Quimera.

[Tradução: Elpino Duriense]

Horácio, Ode I.8

Lydia, dic, per omnis
te deos oro, Sybarin cur properes amando
perdere, cur apricum
oderit Campum, patiens pulueris atque solis,
cur neque militaris
inter aequalis equitet, Gallica nec lupatis
temperet ora frenis.
Cur timet flauum Tiberim tangere? Cur oliuum
sanguine uiperino
cautius uitat neque iam liuida gestat armis
bracchia, saepe disco
saepe trans finem iaculo nobilis expedito?
quid latet, ut marinae
filium dicunt Thetidis sub lacrimosa Troia
funera, ne uirilis
cultus in caedem et Lycias proriperet cateruas?


Ó Lídia, dize, pelos Deuses todos
Te rogo, por que a Sibaris te apressas
perder com teus amores?

Por que aborrece o campo descoberto,
Afeito ao pó e ao sol? por que soldado
Com os iguais não cavalga,

Nem com os dentados freios doma as bocas
Galezas? Por que teme o flavo Tibre
Tocar? E por que cauto

Mais que o vipéreo sangue, o óleo evita?
Nem traz os braços já das armas roxos
Ilustre arremessando

Ora o disco, ora o dardo além da meta?
Por que se encobre como o filho, dizem,
Fez da marinha Tétis,

Perto dos lacrimosos fins de Tróia;
Por que o traje viril o não lançasse
à morte, e às lícias tropas?


[Tradução: Elpino Duriense]

domingo, dezembro 16, 2007

Horácio I.5

Quis multa gracilis te puer in rosa
perfusus liquidis urget odoribus
grato, Pyrrha, sub antro?
cui flavam religas comam

simplex munditiis? Heu quotiens fidem
mutatosque deos flebit et aspera
nigris aequora ventis
emirabitur insolens,

qui nunc te fruitur credulus aurea,
qui semper vacuam, semper amabilem
sperat, nescius aurae
fallacis. Miseri, quibus

intemptata nites. Me tabula sacer
votiva paries indicat uvida
suspensisse potenti
vestimenta maris deo.


Que delicado moço, em muitas rosas,
Banhado em cheiros líquidos te afaga,
Ó Pirra, sob a bela gruta? A flava
coma para quem atas,

Singela nos enfeites? Ai que vezes
A fé, e os Deuses chorará mudados,
E estranhará novel de ver os mares
com negro vento irosos.

O que ora de ti bela goza crédulo;
Que doutro sempre isenta, sempre amável
Te espera, e ignora, quanto a aura engana.
Desgraçados aqueles,

A quem tu brilhas não tratada: sacra
Parede no votivo amostra,
Que eu pendurei ao Deus, senhor dos mares,
os úmidos vestidos.

[Tradução: Elpino Duriense]

Transcriação de Haroldo de Campos

Horácio I.11

Tu ne quaesieris - scire nefas -, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. Ut melius, quidquid erit, pati,
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias! Vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.


Saber não cures, (é vedado) os deuses
A ti qual termo, qual a mim marcaram,
Nem consultes, Leuconoe,os babilônios
Cálculos, porque assim melhor já sofras
Tudo quanto vier, ou te dê Jove
Muitos invernos, ou só este, que ora
o Mar tirreno nas opostas rochas
Quebra. Tem siso, o vinho côa, e corta
em vida breve as longas esperanças.
Ínvida idade foge: colhe o dia,
Do de amanhã mui pouco confiando.

[Tradução: Elpino Duriense]

quinta-feira, outubro 18, 2007

Priapo

1.
Por que em mim não tem veste a parte obscena, indagas?
Indaga se algum deus seus dardos cobre:
às claras o senhor do céu detém seu raio,
não se oculta o tridente ao deus das águas;
nem Marte esconde aquela espada com que é bravo
nem Palas guarda a lança em dobras tépidas.
Portando setas de ouro Febo acaso cora?
Diana sói levar, esconsa, a aljava?
E Hércules cobre a massa da nodosa clava?
O deus alado vela o caduceu?
Quem viu Baco estender no grácil tirso as vestes?
E quem, Amor, te viu de rosto oculto?
Não seja crime que meu pau se mostre sempre:
que se esta lança falta, eu sou inerme. [Priapea latina,9]

2.
Quem sejas tu que no meu alvo muro vês
poemas nada castos mas jocosos,
não te ofendas com versos obscenos, meu pau
não há de te fazer franzir o cenho.[Priapea latina, 49]

3.
Matronas castas, ide p'ra bem longe:
palavras sem pudor vergonha é lerdes!
(Não dão a mínima e aqui vêm direto;
Não admira, também matronas vêem,
degustam com prazer um pau enorme.)[Priapea latina,7]

4.
Se menino, enrabar; se menina, foder;
Ladrões barbados têm terceira pena.[Priapea latina,13]

5.
Caia eu morto, Priapo, se não sinto
vergonha de empregar palavras vis,
obscenas, mas se tu, que és deus sem ter
pudor, me mostra teus colhões de fora,
"boceta" e "pau" preciso pronunciar.[Priapea latina,29]

6.
Temos no corpo formas conhecidas.
Febo, os cabelos. Hércules, seus músculos;
o jovem Baco, o aspecto de menina;
Minerva é loira; oblíquo olhar tem Vênus;
Faunos da Arcádia, os chifres na cabeça;
belos pés tem o porta-voz dos deuses;
dá passos desiguais quem guarda Lemnos;
Esculápio tem sempre a barba longa;
ninguém tem peito como o bravo Marte.
E se entre todos me sobrar espaço,
que deus tem pau maior que o de Priapo?[Priapea latina,36]

7.
Pela beleza agrada ver Mercúrio,
pela beleza Apolo é admirável,
belo também Lieu é figurado.
mais belo que todos é Cupido.
Quanto a mim, sei, não tenho belas formas,
porém meu pau é esplêndido e qualquer
menina vai querê-lo mais àqueles
deuses, se não for tola de boceta. [Priapea latina,36]

8.
Tu, p'ra não veres meu viril sinal,
desvia-te como convém às castas.
É claro! A menos que o que temes ver
desejas que te adentre até as vísceras.[Priapea latina,66]

9.
Se, rústico, pareço ter inculta fala,
perdão!, não junto livros, junto frutos.
Mas rude embora, à força eu ouço meu senhor
a ler, e uns termos aprendi de Homero:
p'ra nós o que é "caralho" chama de karákallon,
e o que chamamos "cu" chama de cúleon.
Se merdaléon é aquilo que não tem limpeza,
é "merdaleu" o pinto dos que enrabam.
Mais!: Se a boceta Argiva não quisesse um pau
Troiano, não teria o que a cantasse.
Não fosse tão famoso o pinto do Tantálida,
de nada se queixara o velho Crises.
O mesmo pau tirou do amigo a doce amante:
sendo de Aquiles, quis que fora sua,
e um triste canto o herói cantou à Peletrônia
cítara, estando teso mais do que a cítara.
Na ira então começa a Ilíada famosa
foi o princípio do sagrado canto.
Matéria do outro é a errância do falaz Ulisses
e, a bem dizer, tesão foi que o moveu:
lemos de uma raiz que gera flor dourada
que, embora moly a chamem, era um pau;
lemos que Circe, que a Atlantíade Calipso
do herói Dulíquio o grande dote ansiaram.
Depois, ao ver que mal cobriu seu membro um espesso
ramo, a filha de Alcínoo se espantou.
Mas corre o herói à velha esposa só pensando,
Penélope, na tua bocetinha,
e casta, só ficaste por querer banquetes
e ter de fodedores cheia a casa,
e por saberes no arco o mais valente, assim
falaste aos pretendentes excitados:
"Ninguém, qual meu Ulisses, retesou sua arma,
de força usando ou de perícia. Agora
é morto, e vós! a arma entesai: que verei
quem é que é homem p'ra ser meu homem".
E eu poderia então te dar prazer, Penélope,
mas eu ainda não tinha sido feito.[Priapea latina,68]

[Tradução: João Angelo Oliva Neto]

quarta-feira, outubro 17, 2007

Horácio I.14

O nauis, referent in mare te noui
fluctus. O quid agis? Fortiter occupa
portum. Nonne uides ut
nudum remigio latus,

et malus celeri saucius Africo
antemnaque gemant ac sine funibus
uix durare carinae
possint imperiosius

aequor? Non tibi sunt integra lintea,
non di, quos iterum pressa uoces malo.
Quamuis Pontica pinus,
siluae filia nobilis,

iactes et genus et nomen inutile:
nil pictis timidus nauita puppibus
fidit. Tu, nisi uentis
debes ludibrium, caue.

Nuper sollicitum quae mihi taedium,
nunc desiderium curaque non leuis,
interfusa nitentis
uites aequora Cycladas.


Ó nau, ao mar te tornam novas ondas!
O que fazes? Com força o porto aferra.
Por ventura não vês, que as amuradas
Estão de remos nuas?

Que pelo ligeiro Àbrego ferido
O mastro geme, gemem as antenas?
E sem amarras mal as quilhas podem
sofrer soberbos mares?

Não tens velas inteiras, não tens deuses,
Que em novo perigo sossobrada invoques,
Inda que tu, ó Pôntico pinheiro,
De nobre selva filho,

Inútil geração e nome ostentes:
Tímido nauta nas pintadas popas
não se afiança. Aguarda, se não queres
ser ludíbrio dos ventos.

Tu, que tédio solícito me deste
Há pouco, ora saudade e grão cuidado,
Dos mares foge aparcelados entre
As Cicladas luzentes.

[Tradução: Elpino Duriense]

sexta-feira, outubro 12, 2007

Horácio, 1.9

Garçom, faça o favor,

nada de luxos persas.

Nem me venha com estes

enfeites de tília.

Rosas? Não quero rosas,

Se alguma ainda esquiva

Resta da primavera.

Para mim basta o mirto.

O simples mirto.

O mirto com você

também combina,

Puer, garçom-menino,

ministro do meu vinho,

Que o vai servindo,

enquanto eu vou bebendo

Sob a cerrada vinha.

[Tradução: Haroldo de Campos]

Catulo, 32 - outra tradução

Vamos, minha doce Ipsistila, minha
delícia, meu
pão:
convida-me a passar a tarde contigo.
Se me dás essa chance
tira o trinco da porta e
cancela o restante:
espera-me disposta
para o jogo da dama:

nove vezes, na cama.


A idéia te inflama?
Então, basta de dúvida!
Almoçado a regalo, reclinado em decúbito,
aqui estou,
como falo:

-perfuro túnica e pálio!


Outras traduções: José Paulo Paes, Nelson Ascher, João Angelo Oliva Neto.

Catulo 14b

Se acaso lês estes meus desmandos
e se não te repugna
aproximar de mim tuas mãos

[Tradução: Haroldo de Campos]

Catulo, 39

Egnatius
porque tem dentes brancos
ri à toa.
Se alguém está no banco dos réus
e o advogado arranca lágrimas do júri
Egnatius ri.
Ri.
Em qualquer momento ou lugar.
É seu fraco. Ofensivo
à elegância e à urbanidade.
(creio).
Aprende pois
Egnatius
meu velho:
ainda que fosses da Capital
ou da Sabina
ou de Tibur
um úmbrio sovina ou um etrusco obeso
um lanuvino moreno e de bons dentes
ou
(para incluir meus conterrâneos) um
transpadano ou
de qualquer parte onde se faça um mínimo
de higiene bucal
ainda assim
eu não suportaria os teus dentes ridentes.
nada mais alvar que um riso alvar.
Mas acontece que és celtíbero.

Na Celtibéria
costumam de manhã com a própria urina
enxaguar caninos e gengivas.

Dentes mais brancos?
Maior ração de urina.

[Tradução: Haroldo de Campos]

Catulo, 41 - Outra tradução

Ameana, piranha desfrutável,
me pediu dez mil sestércios
ao todo!
Aquela mesma,
a menina de nariz torto,
comida do banquirroto Formiano.

Parentes e vizinhos dessa moça
chamem o médico,
reúnam (ela não anda boa)
o conselho da família.
Que tem?
Excesso...
de fantasia.

[Tradução: Haroldo de Campos]

Outra tradução: João Ângelo Oliva Neto

Catulo, 13

Vais jantar bem, Fábulo, em minha casa
qualquer noite destas.
Basta que tragas o favor dos deuses
e ainda
o "couvert", o assado, o vinho, muito sal,
uma companheira enxuta
e uma reserva de risadas.
Nessa base, vais jantar bem:
a bolsa do teu Catulo está cheia
de teias de aranha.
Em troca, mera amizade
e o que me resta de raro e refinado:
um perfumne
-Vênus e os amores! -
o aroma - o cheiro da minha dona.
Fábulo,
uma fábula!
Vais virar nariz.

[Tradução: Haroldo de Campos]

Catulo, 82

Quíncio,
queres que Catulo te deva os olhos
e o que há de mais caro que os olhos?
Não lhe roubes o que é
muito mais caro do que os olhos
ou do que há de mais caro que os olhos.

[Tradução de Haroldo de Campos]