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sexta-feira, outubro 11, 2013

Mosco, 2

Ἤρατο Πὰν Ἀχῶς τᾶς γείτονος, ἤρατο δ' Ἀχώ
 σκιρτατᾶ Σατύρω, Σάτυρος δ' ἐπεμήνατο Λύδᾳ.
ὡς Ἀχὼ τὸν Πᾶνα, τόσον Σάτυρος φλέγεν Ἀχώ
καὶ Λύδα Σατυρίσκον· Ἔρως δ' ἐσμύχετ' ἀμοιβά.
ὅσσον γὰρ τήνων τις ἐμίσεε τὸν φιλέοντα,
τόσσον ὁμῶς φιλέων ἠχθαίρετο, πάσχε δ' ἃ ποίει.
ταῦτα λέγω πᾶσιν τὰ διδάγματα τοῖς ἀνεράστοις·
στέργετε τὼς φιλέοντας ἵν' ἢν φιλέητε φιλῆσθε.

Pan amou Eco, a sua vizinha, Eco amou
o lépido Sátiro, Sátiro enlouqueceu por Lide.
Pan ardia por Eco, tanto quanto Eco pelo Sátiro,
e o Sátiro, por Lide: Amor é chama recíproca;
Tanto quanto cada um deles odiava quem os amava,
era rejeitado como amante: sofriam o que faziam.
Ensino esta lição a todos os que não amam:
Gostai de quem vos ama, pois, se vós amardes, sereis amados em troca.

[Tradução: Rafael Brunhara]

sábado, setembro 21, 2013

Píndaro, Ode Nemeia 6 (v. 01-07)

(Os Deuses e os homens)


 Ἓν ἀνδρῶν, ἓν θεῶν γένος· ἐκ μιᾶς δὲ πνέομεν
ματρὸς ἀμφότεροι· διείργει δὲ πᾶσα κεκριμένα
δύναμις, ὡς τὸ μὲν οὐδέν, ὁ δὲ
χάλκεος ἀσφαλὲς αἰὲν ἕδος
μένει οὐρανός. ἀλλά τι προσφέρομεν ἔμπαν ἢ μέγαν
νόον ἤτοι φύσιν ἀθανάτοις,
καίπερ ἐφαμερίαν οὐκ εἰδότες οὐδὲ μετὰ νύκτας
ἄμμε πότμος

Homens, Deuses, uma só raça: respiramos
de uma só mãe; mas separa-nos absoluto 
distinto poder: enquanto um nada é, o outro
mantém sempre irresvalável sede, o brônzeo 
céu. Mas algo aproxima-nos dos imortais 
ou a grandiosa mente 
ou então nosso corpo
embora sem saber, efêmero e na noite
qual é nosso destino. 

(Tradução: Rafael Brunhara)


domingo, setembro 15, 2013

Xenófanes - fr. 1 W

(A descrição de um simpósio ideal): 


Agora, limpo é o chão, e as mãos de todos,
e as taças: um cinge-nos trançadas coroas,
e outro estende-nos olente bálsamo em um prato:
a cratera está repleta de alegria.
Pronto outro vinho, melífluo nas jarras,
Odor de rosas, que afirma jamais acabar;
No meio propaga-se santo perfume de incenso;
é fresca a água, é doce, é pura.
Ao lado pães dourados, majestosa mesa
cheia de queijos, de mel pingue;
o altar no meio está todo coberto de rosas;
Canto dança e festival envolvem a casa.
Devem primeiro hinear ao Deus os homens alegres
Com afamados mitos e puras palavras
Após libar e rogar pelo poder de fazer o justo
(isto em verdade é mais fácil, não a insolência);
deve-se beber o quanto suportas, e poder
voltar para casa sem auxílio,a menos que muito idoso,
e louvar aquele homem que ao beber revela nobres palavras,
para que haja memória e esforço pela virtude;
e não devem expor os combates de Titãs, de Gigantes,
de Centauros, ficções dos antigos,
ou ardentes sedições, nelas não há o que preste,
mas ter dos Deuses sempre a boa providência.

νῦν γὰρ δὴ ζάπεδον καθαρὸν καὶ χεῖρες ἁπάντων
καὶ κύλικες· πλεκτοὺς δ' ἀμφιτιθεῖ στεφάνους,
ἄλλος δ' εὐῶδες μύρον ἐν φιάληι παρατείνει·
κρητὴρ δ' ἕστηκεν μεστὸς ἐυφροσύνης·
ἄλλος δ' οἶνος ἑτοῖμος, ὃς οὔποτέ φησι προδώσειν,
μείλιχος ἐν κεράμοις, ἄνθεος ὀζόμενος·
ἐν δὲ μέσοις ἁγνὴν ὀδμὴν λιβανωτὸς ἵησιν,
ψυχρὸν δ' ἐστὶν ὕδωρ καὶ γλυκὺ καὶ καθαρόν·
παρκέαται δ' ἄρτοι ξανθοὶ γεραρή τε τράπεζα
τυροῦ καὶ μέλιτος πίονος ἀχθομένη·
βωμὸς δ' ἄνθεσιν ἂν τὸ μέσον πάντηι πεπύκασται,
μολπὴ δ' ἀμφὶς ἔχει δώματα καὶ θαλίη.
χρὴ δὲ πρῶτον μὲν θεὸν ὑμνεῖν εὔφρονας ἄνδρας
εὐφήμοις μύθοις καὶ καθαροῖσι λόγοις,
σπείσαντάς τε καὶ εὐξαμένους τὰ δίκαια δύνασθαι
πρήσσειν· ταῦτα γὰρ ὦν ἐστι προχειρότερον,
οὐχ ὕβρεις· πίνειν δ' ὁπόσον κεν ἔχων ἀφίκοιο
οἴκαδ' ἄνευ προπόλου μὴ πάνυ γηραλέος.
ἀνδρῶν δ' αἰνεῖν τοῦτον ὃς ἐσθλὰ πιὼν ἀναφαίνει,
ὡς ἦι μνημοσύνη καὶ τόνος ἀμφ' ἀρετῆς,
οὔ τι μάχας διέπειν Τιτήνων οὐδὲ Γιγάντων
οὐδὲ < > Κενταύρων, πλάσμα<τα> τῶν προτέρων,
ἢ στάσιας σφεδανάς· τοῖς οὐδὲν χρηστὸν ἔνεστιν·
θ<εῶ>ν <δὲ> προμηθείην αἰὲν ἔχειν ἀγαθήν.

Tradução: Rafael Brunhara

Teócrito - Idílio XI

'Teócrito' dirige seu poema ao amigo Nícias, já referido em outros de seus Idílios (XIII, XXVIII). O tema é o amor, e para exemplificar a Nícias a máxima "Para o amor não existe remédio nenhum, a não ser a canção" (no original, Piérides), o poeta conta a história do jovem ciclope Polifemo, que canta para se esquecer de seu amor não correspondido pela Nereida Galateia.


Para o amor não existe remédio nenhum,
Nícias; nem unguento, creio eu, e nem pó,
senão as Piérides: este é leve e doce
para os homens, mas encontrá-lo não é fácil;
suponho que disso saibas bem, já que és médico,  (5)
 e bastante querido pelas nove Musas.
Pois vê que vida boa a do nosso Ciclope,
o velho Polifemo, enquanto a Galateia
amava e começava a ter barba na cara;
não a amava com maçãs, rosas e cachinhos[2],   (10)
Mas com veras loucuras: tudo o mais, pensava,
era resto. Amiúde as ovelhas fugiam-lhe,
da relva iam ao curral, e ele a cantar
Galateia, a se derreter nas algas da praia
desde cedo, no peito a odiosa ferida,  (15)
flecha da grande Cípris cravada no fígado;
mas achou o remédio; sentado sobre pedras
elevadas  e olhando o mar cantava assim:

"Rejeitas quem te ama, branca Galateia?
Mais branca que coalhada, mais tenra que um anho,
mais agitada que um bezerro e mais brilhante    (20)
que uva verde, aqui vens tão logo o sono doce
me tome, e daqui vais tão logo o sono doce
me some? Foges qual ovelha que viu lobo?
Apaixonei-me por ti, moça, dês que primeiro  (25)
vieste com mamãe colher flores de jacinto
da montanha, eu mostrando o caminho.
Ao vê-la, não posso, nem agora nem nunca,
parar de amar. Mas não te importas, nada, nada!
Sei, moça linda, porque foges; é por causa   (30)
da minha hirsuta sobrancelha em toda a testa,
enorme monocelha de orelha a orelha,
 com um olho só embaixo, e o meu nariz chato.
Mesmo sendo assim, apascento mil ovelhas,
delas ordenho e bebo ótimo leite; e queijo   (35)
é o que não falta, nem no verão, nem no outono,
nem no alto inverno: meus potes sempre estão cheios.
Na flauta, sou o melhor de todos os Ciclopes,
e canto a ti, minha maçã do amor, e a mim mesmo,
até tarde; além disso, crio onze corças     (40)
com estrelas na fronte e quatro filhotes de urso.
Então vem p’ra mim, não acharás nada mal,
e deixa o mar cerúleo rebentar na praia.
Mais doce noite passarás em minha gruta:
está lá o loureiro, lá o tenro cipreste,  (45)
 a hera escura, a videira de doces frutos
e a água fresca, que o bem arbóreo Etna
faz jorrar da alva neve, poção imortal.
Quem preferiria ter o mar e suas ondas?
Mas se te pareço mais hirsuto que devo,  (50)
lenha de árvore e insone fogo hei sob as cinzas,
e aguentaria até se queimasses minha alma
e  meu olho, um só, o que me há de mais doce...
ai ai, porque mamãe não me gerou com brânquias?
Nadava até teu mar, e lhe beijava a mão  (55)
(se a boca não deixares), levava alvos lírios
ou a tenra papoula de pétalas rubras –
uma vem no verão, e a outra vem no inverno,
por isso é que não posso trazer ambas juntas.
E vou aprender já, mocinha, a nadar  (60)
co’ algum nauta estrangeiro que aqui aportar,
p’ra ver quão doce é morar no abismo do mar;
ah, se viesses, Galateia, e te esquecesses,
como eu aqui sentado, de voltar p’ra casa, 
ias gostar de pastorear comigo, ordenhar (65)
o leite e coalhar queijo com o coalho azedo;
Mamãe, só ela, não é justa e eu a culpo:
a meu respeito nunca disse coisas boas,
mesmo vendo-me definhar dia após dia;
direi que me latejam a cabeça e os pés, (70)
para que ela se doa, já que eu também me doo.
Ó Ciclope, Ciclope! Para onde teu juízo
voou? Se teus cestinhos trançasses, levasses
brotos aos anhos, recobravas teu juízo.
Munge a tua ovelha; por que buscas quem foge?(75)
Acharás uma igual a ela e outra melhor:
Muitas moças me chamam p’ra brincar à noite,
e todas dão risadinhas quando as escuto;
é óbvio que eu também sou alguém nessa terra!"

Assim Polifemo pastava o amor com música: (80)
uma vida mais fácil do que gastar ouro.

Tradução: Rafael Brunhara

Οὐδὲν ποττὸν ἔρωτα πεφύκει φάρμακον ἄλλο,
Νικία, οὔτ' ἔγχριστον, ἐμὶν δοκεῖ, οὔτ' ἐπίπαστον,
ἢ ταὶ Πιερίδες· κοῦφον δέ τι τοῦτο καὶ ἁδύ
γίνετ' ἐπ' ἀνθρώποις, εὑρεῖν δ' οὐ ῥᾴδιόν ἐστι. (5)
γινώσκειν δ' οἶμαί τυ καλῶς ἰατρὸν ἐόντα
καὶ ταῖς ἐννέα δὴ πεφιλημένον ἔξοχα Μοίσαις.
οὕτω γοῦν ῥάιστα διᾶγ' ὁ Κύκλωψ ὁ παρ' ἁμῖν,
ὡρχαῖος Πολύφαμος, ὅκ' ἤρατο τᾶς Γαλατείας,
ἄρτι γενειάσδων περὶ τὸ στόμα τὼς κροτάφως τε. (10)
ἤρατο δ' οὐ μάλοις οὐδὲ ῥόδῳ οὐδὲ κικίννοις,
ἀλλ' ὀρθαῖς μανίαις, ἁγεῖτο δὲ πάντα πάρεργα.
πολλάκι ταὶ ὄιες ποτὶ τωὔλιον αὐταὶ ἀπῆνθον
χλωρᾶς ἐκ βοτάνας· ὃ δὲ τὰν Γαλάτειαν ἀείδων
αὐτὸς ἐπ' ἀιόνος κατετάκετο φυκιοέσσας (15)
ἐξ ἀοῦς, ἔχθιστον ἔχων ὑποκάρδιον ἕλκος,
Κύπριδος ἐκ μεγάλας τό οἱ ἥπατι πᾶξε βέλεμνον.
ἀλλὰ τὸ φάρμακον εὗρε, καθεζόμενος δ' ἐπὶ πέτρας
ὑψηλᾶς ἐς πόντον ὁρῶν ἄειδε τοιαῦτα·

Ὦ λευκὰ Γαλάτεια, τί τὸν φιλέοντ' ἀποβάλλῃ, (20)
λευκοτέρα πακτᾶς ποτιδεῖν, ἁπαλωτέρα ἀρνός,
μόσχω γαυροτέρα, φιαρωτέρα ὄμφακος ὠμᾶς;
φοιτῇς δ' αὖθ' οὕτως ὅκκα γλυκὺς ὕπνος ἔχῃ με,
οἴχῃ δ' εὐθὺς ἰοῖσ' ὅκκα γλυκὺς ὕπνος ἀνῇ με,
φεύγεις δ' ὥσπερ ὄις πολιὸν λύκον ἀθρήσασα; (25)
ἠράσθην μὲν ἔγωγε τεοῦς, κόρα, ἁνίκα πρᾶτον
ἦνθες ἐμᾷ σὺν ματρὶ θέλοισ' ὑακίνθινα φύλλα
ἐξ ὄρεος δρέψασθαι, ἐγὼ δ' ὁδὸν ἁγεμόνευον.
παύσασθαι δ' ἐσιδών τυ καὶ ὕστερον οὐδ' ἔτι πᾳ νῦν
ἐκ τήνω δύναμαι· τὶν δ' οὐ μέλει, οὐ μὰ Δί' οὐδέν. (30)
γινώσκω, χαρίεσσα κόρα, τίνος οὕνεκα φεύγεις·
οὕνεκά μοι λασία μὲν ὀφρὺς ἐπὶ παντὶ μετώπῳ
ἐξ ὠτὸς τέταται ποτὶ θώτερον ὦς μία μακρά,
εἷς δ' ὀφθαλμὸς ὕπεστι, πλατεῖα δὲ ῥὶς ἐπὶ χείλει.
ἀλλ' οὗτος τοιοῦτος ἐὼν βοτὰ χίλια βόσκω, (35)
κἠκ τούτων τὸ κράτιστον ἀμελγόμενος γάλα πίνω·
τυρὸς δ' οὐ λείπει μ' οὔτ' ἐν θέρει οὔτ' ἐν ὀπώρᾳ,
οὐ χειμῶνος ἄκρω· ταρσοὶ δ' ὑπεραχθέες αἰεί.
συρίσδεν δ' ὡς οὔτις ἐπίσταμαι ὧδε Κυκλώπων,
τίν, τὸ φίλον γλυκύμαλον, ἁμᾷ κἠμαυτὸν ἀείδων (40)
πολλάκι νυκτὸς ἀωρί. τράφω δέ τοι ἕνδεκα νεβρώς,
πάσας μαννοφόρως, καὶ σκύμνως τέσσαρας ἄρκτων.
ἀλλ' ἀφίκευσο ποθ' ἁμέ, καὶ ἑξεῖς οὐδὲν ἔλασσον,
τὰν γλαυκὰν δὲ θάλασσαν ἔα ποτὶ χέρσον ὀρεχθεῖν·
ἅδιον ἐν τὤντρῳ παρ' ἐμὶν τὰν νύκτα διαξεῖς. (45)
ἐντὶ δάφναι τηνεί, ἐντὶ ῥαδιναὶ κυπάρισσοι,
ἔστι μέλας κισσός, ἔστ' ἄμπελος ἁ γλυκύκαρπος,
ἔστι ψυχρὸν ὕδωρ, τό μοι ἁ πολυδένδρεος Αἴτνα
λευκᾶς ἐκ χιόνος ποτὸν ἀμβρόσιον προΐητι.
τίς κα τῶνδε θάλασσαν ἔχειν καὶ κύμαθ' ἕλοιτο; (50)
αἰ δέ τοι αὐτὸς ἐγὼν δοκέω λασιώτερος ἦμεν,
ἐντὶ δρυὸς ξύλα μοι καὶ ὑπὸ σποδῷ ἀκάματον πῦρ·
καιόμενος δ' ὑπὸ τεῦς καὶ τὰν ψυχὰν ἀνεχοίμαν
καὶ τὸν ἕν' ὀφθαλμόν, τῶ μοι γλυκερώτερον οὐδέν.
ὤμοι, ὅτ' οὐκ ἔτεκέν μ' ἁ μάτηρ βράγχι' ἔχοντα,(55)
ὡς κατέδυν ποτὶ τὶν καὶ τὰν χέρα τεῦς ἐφίλησα,
αἰ μὴ τὸ στόμα λῇς, ἔφερον δέ τοι ἢ κρίνα λευκά
ἢ μάκων' ἁπαλὰν ἐρυθρὰ πλαταγώνι' ἔχοισαν·
ἀλλὰ τὰ μὲν θέρεος, τὰ δὲ γίνεται ἐν χειμῶνι,
ὥστ' οὔ κά τοι ταῦτα φέρειν ἅμα πάντ' ἐδυνάθην. (60)
νῦν μάν, ὦ κόριον, νῦν αὐτίκα νεῖν γε μαθεῦμαι,
αἴ κά τις σὺν ναῒ πλέων ξένος ὧδ' ἀφίκηται,
ὡς εἰδῶ τί ποχ' ἁδὺ κατοικεῖν τὸν βυθὸν ὔμμιν.
ἐξένθοις, Γαλάτεια, καὶ ἐξενθοῖσα λάθοιο,
ὥσπερ ἐγὼ νῦν ὧδε καθήμενος, οἴκαδ' ἀπενθεῖν· (65)
ποιμαίνειν δ' ἐθέλοις σὺν ἐμὶν ἅμα καὶ γάλ' ἀμέλγειν
καὶ τυρὸν πᾶξαι τάμισον δριμεῖαν ἐνεῖσα.
ἁ μάτηρ ἀδικεῖ με μόνα, καὶ μέμφομαι αὐτᾷ·
οὐδὲν πήποχ' ὅλως ποτὶ τὶν φίλον εἶπεν ὑπέρ μευ,
καὶ ταῦτ' ἆμαρ ἐπ' ἆμαρ ὁρεῦσά με λεπτύνοντα. (70)
φασῶ τὰν κεφαλὰν καὶ τὼς πόδας ἀμφοτέρως μευ
σφύσδειν, ὡς ἀνιαθῇ, ἐπεὶ κἠγὼν ἀνιῶμαι.
ὦ Κύκλωψ Κύκλωψ, πᾷ τὰς φρένας ἐκπεπότασαι;
αἴ κ' ἐνθὼν ταλάρως τε πλέκοις καὶ θαλλὸν ἀμάσας
ταῖς ἄρνεσσι φέροις, τάχα κα πολὺ μᾶλλον ἔχοις νῶν. (75)
τὰν παρεοῖσαν ἄμελγε· τί τὸν φεύγοντα διώκεις;
εὑρησεῖς Γαλάτειαν ἴσως καὶ καλλίον' ἄλλαν.
πολλαὶ συμπαίσδεν με κόραι τὰν νύκτα κέλονται,
κιχλίζοντι δὲ πᾶσαι, ἐπεί κ' αὐταῖς ὑπακούσω.
δῆλον ὅτ' ἐν τᾷ γᾷ κἠγών τις φαίνομαι ἦμεν.


Οὕτω τοι Πολύφαμος ἐποίμαινεν τὸν ἔρωτα (80)
μουσίσδων, ῥᾷον δὲ διᾶγ' ἢ εἰ χρυσὸν ἔδωκεν






[1] No original, “Piérides”, Deusas Musas habitantes da Piéria.
[2] Assim como rosas, oferecer como presente maçãs ou um cachinho de cabelo era comum entre os namorados; segundo Dover (em Theocritus: selected poems, 1971, p. 175), no ato de oferecer um fio de cabelo estava implícita a ideia de que os amantes colocavam-se um sobre o poder do outro – uma vez que este poderia ser utilizado magicamente (ver Idílio 2, v.53 ss.). 

sexta-feira, julho 26, 2013

Hipônax, fragmentos 32, 34 e 36 W


32

Ἑρμῆ, φίλ' Ἑρμῆ, Μαιαδεῦ, Κυλλήνιε,
ἐπεύχομαί τοι, κάρτα γὰρ κακῶς ῥιγῶ
καὶ βαμβαλύζω ...

δὸς χλαῖναν Ἱππώνακτι καὶ κυπασσίσκον
καὶ σαμβαλίσκα κἀσκερίσκα καὶ χρυσοῦ  (5)
στατῆρας ἑξήκοντα τοὐτέρου τοίχου.


Hermes, meu caro, filho de Maia, Cilênio,
rogo-te, estou tremendo tanto de frio
 e bato os dentes...

Dá p'ra Hipônax um manto, um casaquinho,
sandalinhas, pantufinhas, e as douradas (5)
sessenta moedas do outro muro.

34 

ἐμοὶ γὰρ οὐκ ἔδωκας οὔτέ κω χλαῖναν
δασεῖαν ἐν χειμῶνι φάρμακον ῥίγ<εο>ς,
οὔτ' ἀσκέρηισι τοὺς πόδας δασείηισι
ἔκρυψας, ὥς μοι μὴ χίμετλα ῥήγνυται.

Pois nunca me deste um manto
felpudo, remédio contra o frio do inverno
nem cobriste com pantufas felpudas
os meus pés, p'ra não me doer as frieiras...


36 Tzetzes em Aristófanes, Pluto, 87

Τυφλὸν δὲ  τὸν  Πλοῦτόν φησιν ἐξ  Ἱππώνακτος τοῦτο σφετερισάμενος. Φησὶ γὰρ οὕτως  Ἱππώναξ

ἐμοὶ δὲ Πλοῦτος – ἔστι γὰρ λίην τυφλός –
ἐς τὠικί' ἐλθὼν οὐδάμ' εἶπεν “Ἱππῶναξ,
δίδωμί τοι μν<έα>ς ἀργύρου τριήκοντα
καὶ πόλλ' ἔτ' ἄλλα”· δείλαιος γὰρ τὰς φρένας.

[Aristófanes] diz que Pluto é cego, apropriando-se de Hipônax. Pois assim diz Hipônax:

Pluto, Deus da riqueza, por ser cego demais,
nunca me veio em casa e disse: “Hipônax,
dou-te aqui trinta minas de prata
e muitas outras coisas mais” – pois ele é um estúpido.

[Tradução: Rafael Brunhara]

Hipônax de Éfeso - Fragmento 128 W

128 Ateneu, Banquete dos Eruditos 15.198

Πολέμων δ' ἐν τῷ δωδεκάτῳ τῶν πρὸς Τίμαιον περὶ τῶν τὰς παρῳδίας γεγραφότων ἱστορῶν τάδε γράφει ‘καὶ τὸν Βοιωτὸν δὲ καὶ τὸν Εὔβοιον τοὺς τὰς παρῳδίας γράψαντας λογίους ἂν φήσαιμι διὰ τὸ
παίζειν ἀμφιδεξίως καὶ τῶν προγενεστέρων ποιητῶν ὑπερέχειν ἐπιγεγονότας. εὑρετὴν μὲν οὖν τοῦ γένους Ἱππώνακτα φατέον τὸν ἰαμβοποιόν. λέγει γὰρ οὗτος ἐν τοῖς ἑξαμέτροις ·

Μοῦσά μοι Εὐρυμεδοντιάδεα, τὴν ποντοχάρυβδιν,
τὴν ἐγγαστριμάχαιραν, ὃς ἐσθίει οὐ κατὰ κόσμον ,
ἔννεφ', ὅπως ψηφῖδι <κακῇ> κακὸν οἶτον ὄληται
βουλῇ δημοσίῃ παρὰ θῖν' ἁλὸς ἀτρυγέτοιο.

Pôlemon escreve o seguinte no décimo segundo livro de Para Timeu, pesquisando sobre os escritores de paródias:

'Eu diria que tanto Beoto quanto Eubeu foram escritores de paródias, por brincarem com duplos sentidos e, apesar de serem anteriores, superaram os poetas que vieram depois. Diga-se que o inventor do gênero sem sombra de dúvida foi Hipônax, o poeta  jâmbico. Pois ele disse isto em hexâmetros:

Musa, do Eurimedontida, o marinocaríbdis,
gastro-faca que come sem elegância nenhuma
conta-me; para que morra mal, de uma morte má,
por voto popular junto às praias do insone mar'

[Tradução: Rafael Brunhara]

segunda-feira, julho 22, 2013

Antologia Grega, 7, 71 (Getúlico) e 7, 352 (Anônimo)

Σῆμα τόδ' Ἀρχιλόχου παραπόντιον, ὅς ποτε πικρὴν
μοῦσαν ἐχιδναίῳ πρῶτος ἔβαψε χόλῳ
αἱμάξας Ἑλικῶνα τὸν ἥμερον. οἶδε Λυκάμβης
μυρόμενος τρισσῶν ἅμματα θυγατέρων.
ἠρέμα δὴ παράμειψον, ὁδοιπόρε, μή ποτε τοῦδε
κινήσῃς τύμβῳ σφῆκας ἐφεζομένους.

Este túmulo junto ao mar é de Arquíloco, primeiro
a mergulhar uma Musa mordaz em bile de víbora,
ensanguentando o dócil Hélicon. Sabe-o bem Licambes,
esvaindo-se em lágrimas pelas três filhas enforcadas.
Viajante, passa em silêncio, para não despertares
as vespas que se assentam em sua tumba.


Δεξιτερὴν Ἀίδαο θεοῦ χέρα καὶ τὰ κελαινὰ
ὄμνυμεν ἀρρήτου δέμνια Περσεφόνης,
παρθένοι ὡς ἔτυμον καὶ ὑπὸ χθονί· πολλὰ δ' ὁ πικρὸς
αἰσχρὰ καθ' ἡμετέρης ἔβλυσε παρθενίης
Ἀρχίλοχος· ἐπέων δὲ καλὴν φάτιν οὐκ ἐπὶ καλὰ (5)
ἔργα, γυναικεῖον δ' ἔτραπεν ἐς πόλεμον.
Πιερίδες, τί κόρῃσιν ἐφ' ὑβριστῆρας ἰάμβους
ἐτράπετ', οὐχ ὁσίῳ φωτὶ χαριζόμεναι;

Pela mão direita do Deus Hades e pelo sombrio
leito da nefanda Perséfone juramos:
somos virgens, é a verdade, até debaixo da terra;
mas mil afrontas à nossa virgindade vomitou
Arquíloco, o mordaz; a bela voz de seus versos
não voltou p'ra belos feitos, mas à guerra com mulheres:
Piérides, por que voltais contra moças jambos tão violentos,
dando vossa graça a um homem ímpio?

[Tradução: Rafael Brunhara]

sábado, julho 20, 2013

Canção Ródia da Andorinha (848 PMG)

848 Ateneu, Banquete dos Eruditos, 8.360b-d 

κορωνισταὶ δὲ ἐκαλοῦντο οἱ τῇ κορώνῃ ἀγείροντες, ὥς φησι Πάμφιλος ὁ Ἀλεξανδρεὺς ἐν τοῖς περὶ ὀνομάτων· καὶ τὰ ᾀδόμενα δὲ ὑπ' αὐτῶν κορωνίσματα καλεῖται, ὡς ἱστορεῖ Ἁγνοκλῆς ὁ Ῥόδιος ἐν Κορωνισταῖς. καὶ χελιδονίζειν δὲ καλεῖται παρὰ Ῥοδίοις ἀγερμός τις ἄλλος, περὶ οὗ φησι Θέογνις ἐν βʹ περὶ τῶν ἐν Ῥόδῳ θυσιῶν (F.Gr.H. 526 F1) γράφων οὕτως·’εἶδος δέ τι τοῦ ἀγείρειν χελιδονίζειν Ῥόδιοι καλοῦσιν, ὃ γίνεται τῷ Βοηδρομιῶνι μηνί. χελιδονίζειν δὲ λέγεται διὰ τὸ εἰωθὸς ἐπιφωνεῖσθαι·

ἦλθ' ἦλθε χελιδὼν
καλὰς ὥρας ἄγουσα,
καλοὺς ἐνιαυτούς,
ἐπὶ γαστέρα λευκά,
ἐπὶ νῶτα μέλαινα.                       (5)
παλάθαν σὺ προκύκλει
ἐκ πίονος οἴκου
οἴνου τε δέπαστρον
τυροῦ τε κάνυστρον·
καὶ πύρνα χελιδὼν                       (10)
καὶ λεκιθίταν
οὐκ ἀπωθεῖται· πότερ' ἀπίωμες ἢ λαβώμεθα;
εἰ μέν τι δώσεις· εἰ δὲ μή, οὐκ ἐάσομες·
ἢ τὰν θύραν φέρωμες ἢ τὸ ὑπέρθυρον
ἢ τὰν γυναῖκα τὰν ἔσω καθημέναν·     (15)
μικρὰ μέν ἐστι, ῥαιδίως νιν οἴσομες.
ἂν δὴ †φέρηις τι, μέγα δή τι† φέροις·
ἄνοιγ' ἄνοιγε τὰν θύραν χελιδόνι·
οὐ γὰρ γέροντές ἐσμεν, ἀλλὰ παιδία.

São chamados de Homens-Corvo (Koronistai) os que esmolavam com um corvo nas mãos...e as suas canções chamam-se "Cantos do Corvo" (Koronismata), como informa Hagnócles de Rodes em Homens-Corvos.  Outra maneira de pedir esmolas chama-se "andorinhar" (khelidonízein), sobre a qual Teógnis no livro 2 de Ritos Ródios escreveu: "Os Ródios chamam de "Andorinhar" uma forma de pedir esmolas que ocorre no mês Boedrômio. Diz-se "Andorinhar" por causa do costume de cantar a seguinte canção:

Andorinha, andorinha
chegou com a estação bela,
trouxe o bom ano com ela!
Ela tem barriga branca,
ela tem costas escuras!
De tua opulenta casa              (5)
bolo de frutas repassa,
uma tacinha de vinho,
ou de queijo, um cestinho; 
Pão de trigo ou de grão,
a andorinha não diz não!   (10)
Seguir  nosso caminho, ou pegar o que pedimos?
se nos der algo, sim! Se não, não vai ficar assim:
ou a tua porta arrancamos, ou a verga levamos, 
ou então a  senhora que se senta aí dentro!  
Fácil a levamos, não é muito grande;  (15)
então se trouxer algo, traz bastante! 
Abre a porta, abre! Abre p'ra andorinha! 
Pois velhos não somos: só criancinhas.

[Tradução: Rafael Brunhara]


sexta-feira, julho 19, 2013

Sólon, Fragmento 15 W

16  Plutarco, Vida de Sólon, 3.2

ὅτι δ' ἑαυτὸν ἐν τῇ τῶν πενήτων μερίδι μᾶλλον ἢ τῇ τῶν πλουσίων ἔταττε, δῆλόν ἐστιν ἐκ τούτων ·

πολλοὶ γὰρ πλουτέουσι κακοί, ἀγαθοὶ δὲ πένονται·
   ἀλλ' ἡμεῖς τούτοις οὐ διαμειψόμεθα
τῆς ἀρετῆς τὸν πλοῦτον, ἐπεὶ τὸ μὲν ἔμπεδον αἰεί,
   χρήματα δ' ἀνθρώπων ἄλλοτε ἄλλος ἔχει.

É evidente, por estes versos,  que ele próprio se colocava mais entre os pobres do que entre os ricos:

Muitos homens vis são ricos, muitos nobres, pobres:
   mas nós não pegaremos a riqueza daqueles
a troco da virtude; porque esta, sim, é sempre firme,
 já as posses humanas são ora de um, ora de outro.

[Tradução: Rafael Brunhara]


Álcman - Fragmento 26 (PMG)

26  Antígono de Cáriston, Coleção de Histórias Maravilhosas

Τῶν δὲ ἀλκυόνων οἱ ἄρσενες κηρύλοι καλοῦνται· ὅταν οὖν ὑπὸ τοῦ γήρως ἀσθενήσωσιν καὶ μηκέτι δύνωνται πέτεσθαι, φέρουσιν αὐτοὺς αἱ θήλειαι ἐπὶ τῶν πτερῶν λαβοῦσαι. καὶ ἔστι τὸ ὑπὸ τοῦ Ἀλκμᾶνος λεγόμενον τούτῳ συνῳκειωμένον· φησὶν γὰρ ἀσθενὴς ὢν διὰ τὸ γῆρας καὶ τοῖς χοροῖς οὐ δυνάμενος συμπεριφέρεσθαι οὐδὲ τῇ τῶν παρθένων ὀρχήσει·

οὔ μ' ἔτι, παρσενικαὶ μελιγάρυες ἱαρόφωνοι,
γυῖα φέρην δύναται· βάλε δὴ βάλε κηρύλος εἴην,
ὅς τ' ἐπὶ κύματος ἄνθος ἅμ' ἀλκυόνεσσι ποτήται
νηδεὲς ἦτορ ἔχων, ἁλιπόρφυρος ἱαρὸς ὄρνις.

Os alcíones machos são chamados Cérilos. Quando eles ficam fracos por causa da velhice e não são mais capazes de voar, as fêmeas da espécie pegam-nos e levam sobre suas asas. O que é contado por Álcman está associado a isso, pois ele se diz sem forças por causa da velhice e incapaz de acompanhar os coros e a dança das moças:

Não mais, melodiosas moças de ardente canto,
podem os membros levar-me; ei, ei, fosse eu um alcião,
que sobre a flor das ondas com alcíones voa,
coração sem pranto, ave sagrada, azul da cor do mar!

[Tradução de Rafael Brunhara]

Outras traduções:

José Cavalcante de Souza:
http://www.primeiros-escritos.blogspot.com.br/2009/10/alcman-26-dav.html
Leonardo Antunes:
http://neolympikai.blogspot.com.br/2011/11/alcman-fr-26.html
Péricles Eugênio da Silva Ramos:
http://primeiros-escritos.blogspot.com.br/2008/03/lcman-fr26-pmg.html




quarta-feira, abril 24, 2013

Safo, fragmentos (48, 50 - 54)

48
ἦλθες, †καὶ† ἐπόησας, ἔγω δέ σ' ἐμαιόμαν,
ὂν δ' ἔψυξας ἔμαν φρένα καιομέναν πόθωι.

Vieste, fizeste bem, eu te queria...
esfriaste o ardor de desejo em meu peito.

51
οὐκ οἶδ' ὄττι θέω· δίχα μοι τὰ νοήμματα

Não sei o que faço: duas mentes há em mim.

52
ψαύην δ' οὐ δοκίμωμ' ὀράνω †δυσπαχέα†

Não pretendo tocar o céu com as mãos...

53

βροδοπάχεες ἄγναι Χάριτες δεῦτε Δίος κόραι

Bracirróseas puras Graças, vinde, donzelas de Zeus...

54

ἔλθοντ' ἐξ ὀράνω πορφυρίαν περθέμενον χλάμυν ...

[Eros] descende do céu, envolto em manto púrpura...

[Tradução: Rafael Brunhara]

segunda-feira, abril 15, 2013

Simônides, fr. 564 Page

ὅτι δὲ τὸ ποίημα τοῦτο Στησιχόρου ἐστὶν ἱκανώτατος μάρτυς Σιμωνίδης ὁ ποιητής, ὃς περὶ τοῦ Μελεάγρου τὸν λόγον ποιούμενός φησιν ·

                      ὃς δουρὶ πάντας
νίκασε νέους, δινάεντα βαλὼν
Ἄναυρον πολυβότρυος ἐξ Ἰωλκοῦ·
οὕτω γὰρ Ὅμηρος ἠδὲ Στασίχορος ἄεισε λαοῖς.

Que este poema é de Estesícoro, o poeta Simônides é a testemunha mais adequada. Falando a respeito de Meleagro, diz:

[Meleagro], que venceu na lança todos
os jovens ao atirar por sobre os remoinhos
do rio Anauro, em Iolco de ricas videiras.
Assim cantaram aos povos Homero e Estesícoro.

[Tradução: Rafael Brunhara]

Simônides fr.584 Page

584 Ateneu, Banquete dos Eruditos, 12.512c

καὶ οἱ φρονιμώτατοι δέ, φησίν, καὶ μεγίστην δόξαν ἐπὶ σοφίᾳ ἔχοντες μέγιστον ἀγαθὸν τὴν ἡδονὴν εἶναι νομίζουσιν, Σιμωνίδης μὲν οὑτωσὶ
λέγων ·
τίς γὰρ ἁδονᾶς ἄτερ θνα-
τῶν βίος ποθεινὸς ἢ ποί-
α τυραννίς;
τᾶς ἄτερ οὐδὲ θεῶν ζηλωτὸς αἰών.

E até mesmo os mais lúcidos, afirma [sc.Heráclides Pôntico] e  que tem a maior reputação por sua sabedoria, consideram que o prazer é o maior bem. Simônides, dizendo assim,

Sem o prazer, que vida humana
é desejável? Que poder?
Sem o prazer, nem a eternidade dos Deuses
é invejável.

[Tradução: Rafael Brunhara]

quarta-feira, abril 10, 2013

Simônides fr.543 Page

543 Dionísio de Halicarnasso, Da Composição Literária

ἐκ δὲ τῆς μελικῆς τὰ Σιμωνίδεια ταῦτα· γέγραπται δὲ κατὰ διαστολὰς οὐχ ὧν Ἀριστοφάνης ἢ ἄλλός τις κατεσκεύασε κώλων ἀλλ' ὧν ὁ πεζὸς λόγος ἀπαιτεῖ. πρόσεχε δὴ τῷ μέλει καὶ ἀναγίνωσκε κατὰ διαστολάς, καὶ εὖ ἴσθ' ὅτι λήσεταί σε ὁ ῥυθμὸς τῆς ᾠδῆς καὶ οὐχ ἕξεις συμβαλεῖν οὔτε στροφὴν οὔτε ἀντίστροφον οὔτ' ἐπῳδόν, ἀλλὰ φανήσεταί σοι λόγος εἷς εἰρόμενος. ἔστι δὲ ἡ διὰ πελάγους φερομένη Δανάη τὰς ἑαυτῆς ἀποδυρομένη τύχας·


Ὅτε λάρνακι
 ἐν δαιδαλέᾳ
ἄνεμός τε μιν πνέων
κινηθεῖσά τε λίμνα δείματι
 ἒρειπεν οὔτ' ἀδιάντοισι παρειαῖς
ἀμφί τε Περσέι βάλλε φίλαν χέρα
εἶπέν τε· Ὦ τέκος, οἷον ἔχω πόνον·

σὺ δ'  ἀωτεῖς,  γαλαθηνῷ
δ' ἤτορι κνοώσσεις
ἐν ἀτερπέι δούρατι χαλκεογόμφῳ
 νυκτὶ <τ' ἄ> λαμπέι
κυανέῳ τε δνόφῳ σταλείς·
ἅχναν δ' ὕπερθε τεᾶν κομᾶν
βαθεῖαν παριόντος
κύματος οὐκ ἀλέγεις, οὐδ' ἀνέμου
φθόγγον, πορφυρέᾳ
κείμενος ἐν χλανίδι,  πρὸσωπον καλὸν.
εἰ δέ τοι δεινὸν τό γε δεινὸν ἦν,
καί κεν ἐμῶν ῥημάτων
 λεπτὸν ὑπεῖχες οὖας.


κέλομαι· εὗδε βρέφος,
εὑδέτω δὲ πόντος, εὑδέτω ἄμετρον κακόν·
μεταβουλία δέ τις φανείη,
Ζεῦ πάτερ, ἐκ σέο·
ὅττι δὴ θαρσαλέον ἔπος εὔχομαι
ἢ νόσφι δίκας,
σύγγνωθί μοι.

Os seguintes versos de Simônides, provenientes da poesia mélica, não foram escritos conforme as divisões métricas que Aristófanes ou qualquer outro preparou, mas demandam a prosa.  Atenta a canção e lê conforme as divisões. Vê bem que o ritmo do poema te escapará, e não poderás agrupar nem estrofe, nem antístrofe e nem epodo, mas parecerás ler um texto em prosa. Trata-se de Dânae sendo levada em alto mar e lamentando a sua sorte:

[Dânae*], na dedálea arca
quando o vento soprava
e o mar revolto em pavor
a prostrava, não sem pranto no rosto
envolveu Perseu nos braços amáveis
e disse:  "ah, filho, que aflição a minha!

Tu dormes, com inocente
peito ressonas
na triste barca de brônzeas cavilhas,
estendida na noite sem luz,
nas trevas escuras.
Da espuma do mar em teus cabelos,
profunda, quando passam
as ondas, tu não cuidas,
nem da voz do vento: repousando
em manto púrpura, é belo teu rosto.    
Se o que é terrível te fosse terrível,
às minhas palavras
darias teus pequeninos ouvidos.


Dorme, meu bebê, te peço;
dorme, ó mar; dorme, ó mal imensurável!
Que surja de ti um sinal de mudança,
Zeus Pai, de tua vontade!
Mas se minha prece é insolente
ou sem justiça,

perdoa-me."

* Dânae era uma princesa de Argos, no Peloponeso. Quando um oráculo contou ao seu pai, o rei Acrísio, de que o filho nascido dela o mataria, prontamente trancafiou a jovem princesa em uma câmara subterrânea. Mas Zeus, na forma de uma chuva dourada, facilmente acessa a câmara e engravida a princesa, que dará a luz ao herói Perseu. Quando o rei soube do acontecido, incrédulo de que a filha havia sido seduzida por Zeus, pôe mãe e filho em uma arca e os lança ao mar. 

[Tradução: Rafael Brunhara]

segunda-feira, abril 08, 2013

Fragmentos da Oresteia de Estesícoro (fr. 210 - 219 PMG)

Oresteia (?), Canto I (?)

Fr.210. Escoliasta à Paz, de Aristófanes (vv. 775ss.)

"Μοῦσα σὺ μὲν πολέμους ἀπωσαμένη μετ' ἐμοῦ/τοῦ φίλου χόρευσον/κλείσουσα θεῶν τε γάμους ἀνδρῶν τε δαῖτας/καὶ θαλίας μακάρων*"  αὕτη  <παρα>πλοκή ἐστι καὶ ἒλαθεν. σφόδρα δὲ γλαφυρὸν εἲρηται καὶ ἒστι Στησιχόρειον.

         Μοῖσα σὺ μὲν πολέμους ἀπωσαμένα πεδ' ἐμοῦ
         κλείοισα θεῶν τε γάμους ἀνδρῶν τε δαίτας
         καὶ θαλίας μακάρων

"Musa, rejeita as guerras, celebra e dança/ comigo, seu amigo/ as núpcias dos Deuses, os banquetes dos homens/ e as festas dos venturosos" trata-se de uma inserção e passou despercebida. A passagem está expressa de maneira muito mais refinada, e pertence a Estesícoro.

          Musa, rejeita as guerras, celebra comigo
          as núpcias dos Deuses, os banquetes dos homens,
          e as festas dos venturosos...


Fr. 211 Escoliasta à Paz, de Aristófanes, vv.800 ss.

"ὅταν ἠρινὰ μὲν/φωνῇ χελιδὼν/ἡδομένη κελαδῇ"...καὶ αὕτη <παρα>πλοκὴ στησιχόρειος. φησὶ γὰρ οὕτως·

                    ὅκα ἦρος ὥραι κελαδῆι χελιδών

 "Quando na primavera/ com alegre voz/ trina a andorinha..." E esta é uma inserção de Estesícoro. Diz o seguinte:

                  Quando na primavera trina a andorinha...


Fr. 212 Escoliasta à Paz, de Aristófanes, vv. 797 ss.

"Τοιάδε χρὴ Χαρίτων δα-/μώματα καλλικόμων/τὸν σοφὸν ποητὴν/ὑμνεῖν"..  ἔστι παρὰ τὰ Στησιχόρου ἐκ τῆς Ὀρεστείας

          τοιάδε χρὴ Χαρίτων δαμώματα καλλικόμων
          ὑμνεῖν Φρύγιον μέλος ἐξευρόντας ἁβρῶς
          ἦρος ἐπερχομένου.

<δαμώματα>; VΓ: τὰ δημοσίᾳ ᾀδόμενα.

"Tais cantos das Graças/ de bela coma ao povo/ o engenhoso poeta/há de hinear"... [Este verso] vem da Oresteia de Estesícoro:

           Tais cantos das Graças de bela coma ao povo
            há de se hinear com garbo encontrando a canção frígia
            no advento da primavera.

[canções...ao povo](damómata): canções entoadas em público.

Oresteia,  Canto II


Fr. 213 Escoliasta à Arte Gramática, de Dionísio Trácio:

Στησίχορος δὲ ἐν δευτέρω Ὀρεστείας καὶ Εὐριπίδης τὸν Παλαμήδην φησὶν εὑρηκεναι [τὰ στοιχεῖα]

Estesícoro, no segundo livro da Oresteia, e Eurípides afirmam que Palamedes foi o inventor [das letras do alfabeto].


Fr. 214 Habron (?), sobre o Escoliasta da Ilíada VII, v. 76 (Papiro de Oxirrinco, 1087 ii 47s):

τὸ λιθακός, ἔνθεν φη(σί) Στησίχορος ἐν  Ὀρεστείας  β' 

               λιθακοῖς

"O pétreo" (tò lithakós): daí  vem Estesícoro, que di (z) na Oresteia, canto 2:

           ...(com) pétreos...

Oresteia, Canto I ou II


Fr.215 Filodemo, Da Piedade (p.24, ed. Gomperz)

Στη[σιχόρο]ς δ ἐν Ὀρεστεί[αι κατ]ἀκολουθήσας [Ἡσιό]δωι τὴν Ἀγαμέ[μνονος Ί]φιγένειαν εἶ[ναι τὴ]ν Ἑκάτην νῦν [ὀνομαζο]μένην...

Este[sícor]o, ao seguir [Hesío]do de perto  na Orest[eia], (diz) que [I]figênia, a filha de Agam[êmnon], recebe hoje o no[me de] Hécate.


Fr. 216 Escólio ao Orestes, de Eurípides (v.46 ss):

φανερὸν ὃτι ἐν Ἂργει ἡ σκηνὴ τοῦ δράματος ὑπόκειται. Ὃμηρος δὲ ἐν Μυκήναις φησὶ τὰ βασίλεια Ἀγαμέμνονος, Στησίχορος δὲ καὶ Σιμωνίδης ἐν Λακεδαίμονι.

É evidente que a cena da peça está situada em Argos. Homero diz que o palácio de Agamêmnon [está] em Micenas, mas Estesícoro e Simônides situam-no na Lacedemônia.


Fr.217  Comentário no Papiro de Oxirrinco, 2506, fr.26, col.ii

...ὃ τε Στησ]ίχορος ἐχρήσατ[ο διη]γήμασιν, τῶν τε ἂλλ[ων ποιη]τῶν οἱ πλείονες τ[αῖς ἀφορ]μαῖς ταῖς τούτου · με[τὰ γὰρ] Ὃμηρον κα[ὶ] Ἡσίοδον [οὐδενὶ] μᾶλλον Στησιχόρου [συμ]φων[οῦσι]· Αἰσχύλο[ς μὲν γὰρ] Ὀρεστ<ε>[ια]ν ποιήσα[ς τριλογ]ίαν [Ὰ]γαμέμνον[α Χ]οηφόρους Εὐμεν[ίδας .....] τὸν ἀγαγν[ωρισμὸ]ν διὰ τοῦ βοστρύχου· Στησιχόρωι γὰρ ἐστιν [.....] δῶρον πα[ρὰ τ]οῦ Ὰπόλλωνος παρ' ὧι [μὲν γ]ὰρ λέγεται· δὸς τόξα μοι κερουλκά, δώρα Λόξιου, [οἷς εἶπ'] Ἀπολλων μ ἐξαμύ[νασ]θαι [θ]εάς παρὰ δὲ Στησιχ[όρω]ι·

           τόξα [δέ τιν] τάδε δώσω
           παλά[μα]ισιν ἐμαῖσι κεκασμένα . . . . [ἐ]πικρατέ-
           ως βάλλειν·

[....Estes]ícoro serviu-se de narrativas, e a maioria dos outros poetas serviu-se do material dele: pois, depois de Homero e Hesíodo, eles não concordam [com ninguém] mais além de Estesícoro:   Ésquil[o, com efeito], ao com[por a sua trilog]ia Orest[eia] ([A]gamêmno[n, C]oéforas e Eumên[ides...)] produziu o rec[onheciment]o pela madeixa do cabelo[*Coéforas, vv.164ss]: [isso] está em Estesícoro [...]. Eurípides diz em seus versos que o arco de Orestes foi dado a ele por Apolo, como um presente; "Dá-me o arco de chifre, dádiva de Lóxias/ com ele, afirma Apolo que expulsarei as Deusas..." [Orestes, v.268ss.]. E em Estesícoro:

         Eis o arco que [te] darei,
         lavrado por minhas artes...
         p'ra disparares poderosamente:

[Εὺριπίδ]ης δὲ καὶ τὴν Ὶφι[γένειαν ἐ]ποίησε γαμουμέ[νην Ὰχιλλεῖ] . . .

E Eurípides também fez Ifigênia se cas[ar com Aquiles]...


Fr.218 Escólio às Coéforas, de Ésquilo vv. 733

Κίλισσαν δέ φησι τὴν Ὸρέστου τροφόν, Πίνδαρος δὲ Αρσινόην, Στησίχορος Λαοδάμειαν.

[Ésquilo] diz que a nutriz de Orestes [chama-se] Cilissa; Píndaro, Arsínoe, e Estesícoro, Laodâmia.



Fr.219. Plutarco, Sobre a lenta vingança de Deus, 555a:

ὥστε πρὸς τὰ γιγνόμενα καὶ πρὸς τὴν ἀλήθειαν ἀποπλάττεσθαι τὸ τῆς Κλυταιμνήστρας ἐνύπνιον τὸν Στησίχορον, οὑτωσί πως λέγοντα·

            τᾷ δὲ δράκων ἐδόκησεν μολεῖν κάρα βεβροτωμένος ἄκρον,
            ἐκ δ' ἄρα τοῦ βασιλεὺς Πλεισθενίδας ἐφάνη.’

Dessa maneira que Estesícoro representa o sonho de Clitemnestra, em conformidade com os acontecimentos e com a verdade, quando fala mais ou menos assim:

            Sonhou que vinha uma serpente suja de sangue
             no alto do crânio; daí surgiu o rei Plistênida*.


* A serpente seria Agamêmnon, morto por Clitemnestra. O rei da linhagem de Plístenes, o Plistênida, é Orestes. West (em Greek Lyric Poetry, 1994, p.205) ainda observa que em algumas versões do mito, Plístenes substitui Atreu como o pai de Agamêmnon.

Edição:  PAGE, D.L. Poetae Melici Graeci, Oxford: Clarendon Press. 1962.

Tradução: Rafael Brunhara


Anânio

(Trímetros Jâmbicos)

Fr.1 W

Ἄπολλον, ὅς που Δῆλον ἢ Πυθῶν' ἔχεις
ἢ Νάξον ἢ Μίλητον ἢ θείην Κλάρον,
ἵκ<εο> †καθ' ἱέρ' ἢ† Σκύθας ἀφίξεαι.

Apolo, que tens Delos, Pito talvez,
ou Naxos, Mileto ou a divina Claro,
vem  †ao sacrifício ou † deixarás a Cítia? 

Fr.2 W

χρυσὸν λέγει Πύθερμος ὡς οὐδὲν τἆλλα.

Ao ouro, diz Pitermo, nada é igual.

Fr.3 W

εἴ τις καθείρξαι χρυσὸν ἐν δόμοις πολὺν
καὶ σῦκα βαιὰ καὶ δύ' ἢ τρεῖς ἀνθρώπους,
γνοίη χ' ὅσωι τὰ σῦκα τοῦ χρυσοῦ κρέσσω.

Se alguém trancasse em uma casa muito ouro,
uns poucos figos e duas ou três pessoas,
veria o quanto figos valem mais que ouro.

Fr.4 W

καὶ σὲ πολλὸν ἀνθρώπων
ἐγὼ φιλ<έω> μάλιστα, ναὶ μὰ τὴν κράμβην.

....E entre muitos outros homens,
eu te amo demais, juro pelo repolho.

[Tradução: Rafael Brunhara]

Pratinas

Sobre Pratinas:

1 Suda, Π, 2230

Πρατίνας, Πυρρωνίδου ἢ Ἐγκωμίου, Φλιάσιος, ποιητὴς τραγῳδίας· ἀντηγωνίζετο δὲ Αἰσχύλῳ τε καὶ Χοιρίλῳ ἐπὶ τῆς οʹ Ὀλυμπιάδος, καὶ πρῶτος ἔγραψε Σατύρους. ἐπιδεικνυμένου δὲ τούτου συνέβη τὰ ἰκρία, ἐφ' ὧν ἑστήκεσαν οἱ θεαταί, πεσεῖν, καὶ ἐκ τούτου θέατρον ᾠκοδομήθη Ἀθηναίοις. καὶ δράματα μὲν ἐπεδείξατο νʹ, ὧν Σατυρικὰ λβʹ· ἐνίκησε δὲ ἅπαξ.

Pratinas, filho de Pirrônides ou de Encômio, de Flio, poeta trágico. Era rival de Ésquilo e Quérilo na 70º Olímpiada [*500/496 a.C.], e foi o primeiro a escrever dramas satíricos.  Na ocasião em que apresentou uma peça, a plataforma sobre a qual os espectadores estavam veio a cair, e por causa disso um teatro foi construído pelos atenienses.  Ele apresentou cinquenta peças, sendo trinta e duas delas dramas satíricos, mas conquistou a vitória apenas uma vez. 

2 Ateneu, Banquete dos Eruditos, 1.22a
φασὶ δὲ καὶ ὃτι οἱ ἀρχαῖοι ποιηταί θέσπις, Πρατίνας, [[Κρατῖνος]], Φρύνικος, ὀρχησταὶ ἐκαλοῦντο διὰ τὸ μὴ μόνον τὰ ἑαυτῶν δράματα ἀναφέρειν εἰς ὂρχησιν τοῦ χοροῦ, ὰλλὰ  καὶ ἒξω τῶν ἰδίων ποιημάτων διδάσκειν τοὺς βοθλομένους ὸρχεῖσθαι.

Conta-se também que os poetas antigos -- Téspis, Pratinas, [[Cratino,]] e Frínico -- eram chamados de dançarinos, não só porque produziam os seus dramas para a dança do coro, mas também porque,  além dos seus próprios poemas, ensinavam a dançar aqueles que quisessem.

Fragmentos:



708 Ateneu, Banquete dos Eruditos, 14. 617 b-f
Πρατίνας δὲ ὁ Φλιάσιος αὐλητῶν καὶ χορευτῶν μισθοφόρων κατεχόντων τὰς ὀρχήστρας ἀγανακτεῖν τινας ἐπὶ τῷ τοὺς αὐλητὰς μὴ συναυλεῖν τοῖς χοροῖς, καθάπερ ἦν πάτριον, ἀλλὰ τοὺς χοροὺς συνᾴδειν τοῖς αὐληταῖς· ὃν οὖν εἶχεν κατὰ τῶν ταῦτα ποιούντων θυμὸν ὁ Πρατίνας ἐμφανίζει διὰ τοῦδε τοῦ Ὑπορχήματος ·

τίς ὁ θόρυβος ὅδε; τί τάδε τὰ χορεύματα;
τίς ὕβρις ἔμολεν ἐπὶ Διονυσιάδα πολυπάταγα θυμέλαν;
ἐμὸς ἐμὸς ὁ Βρόμιος, ἐμὲ δεῖ κελαδεῖν, ἐμὲ δεῖ παταγεῖν
ἀν' ὄρεα σύμενον μετὰ Ναϊάδων
 οἷά τε κύκνον ἄγοντα ποικιλόπτερον μέλος. (5)
τὰν ἀοιδὰν κατέστασε Πιερὶς βασίλειαν· ὁ δ' αὐλός
ὕστερον χορευέτω· καὶ γάρ ἐσθ' ὑπηρέτας.
κώμῳ μόνον θυραμάχοις τε πυγμαχίαισι νέων θέλοι παροίνων
ἔμμεναι στρατηλάτας.
παῖε τὸν φρυνεοῦ ποικίλαν πνοὰν ἔχοντα· (10)
φλέγε τὸν ὀλεσιαλοκάλαμον,
λαλοβαρύοπα παραμελορυθμοβάταν
ὐπαι τρυπάνῳ δέμας πεπλασμένον.
ἢν ἰδού· ἅδε σοι δεξιᾶς καὶ ποδὸς διαρριφά·
θριαμβοδιθύραμβε, κισσόχαιτ' ἄναξ, (15)
<ἄκου'> ἄκουε τὰν ἐμὰν Δώριον χορείαν.

Quando auletas e coreutas assalariados ocuparam as orquestras, Pratinas de Flio ficou indignado porque os auletas não acompanhavam os coros com o aulo, como mandava a tradição, mas os coros que cantavam acompanhando os auletas. Pratinas então manifesta a raiva que tinha contra os que faziam essas coisas por meio deste Hiporquema:

Que balbúrdia é essa? Que é esse passo de dança?
Que exagero chega ao retumbante altar de Dioniso?
Brômio é meu, é meu!  Meu seja o clamor, meu o clangor,
correndo no alto dos montes com Náiades,
entoando alado e iriado canto, como um cisne!
A Musa Piéria fez da canção rainha; que o aulo
então faça depois sua dança, ele que é o servo:
contente-se ele em ser o general das farras e arruaças
da ébria juventude!
Golpeia o batráquio de sopro variegado,
incendeia o cálamo-gasta-saliva,
o tonítruo blá-blá-blá e os passos fora do ritmo
desse corpo moldado na verruma!
Veja, veja! Estende assim a mão direita e os pés!
Triambo-ditirambo, senhor de hederosos cabelos,
vem, vem, ouve meu canto e dança dórico!

709 Ateneu, Banquete dos Eruditos, 632f-633a

διετήρησαν δὲ μάλιστα τῶν Ἑλλήνων Λακεδαιμόνιοι τὴν μουσικήν, πλείστῃ αὐτῇ χρώμενοι, καὶ συχνοὶ παρ' αὐτοῖς ἐγένοντο μελῶν ποιηταί. τηροῦσιν δὲ καὶ νῦν τὰς ἀρχαίας ᾠδὰς ἐπιμελῶς πολυμαθεῖς τε εἰς ταύτας εἰσὶ καὶ ἀκριβεῖς. ὅθεν καὶ Πρατίνας φησί·

Λάκων ὁ τέττιξ εὔτυκος εἰς χορόν.

Os Lacedemônios, mais do que os outros gregos, mantiveram a sua música, servindo-se dela amiúde. Havia numerosos poetas mélicos entre eles.  Até hoje eles preservam cuidadosamente as antigas canções, e possuem muita instrução e rigor nelas. Por isso é que Pratinas diz:

Lacônia é a cigarra pronta para o coro.

710 Ateneu, Banquete dos Eruditos, 461e

κατὰ τὸν Φλιάσιον ποιητὴν Πρατίναν

οὐ γᾶν αὐλακισμέναν ἀρῶν,
ἀλλ' ἄσκαφον ματεύων

κυλικηγορήσων ἔρχομαι

Conforme o poeta de Flio Pratinas:

"Não lavrando um solo sulcado
mas em busca de terra virgem..."

Começo a discursar sobre as nossas taças.

711 ΔΙΜΑΙΝΑΙ Η ΚΑΡΥΑΤΙΔΕΣ

Ateneu, Banquete dos Eruditos, 9.392f

Πρατίνας δ ἐν Δυμαίναις ἢ Καρυάτισιν·

ἀδύφωνον

ἰδίως καλεῖ τὸν ὂρτυγα, πλὴν εἰ μή τι παρὰ τοῖς Φλιασίοις ἢ τοῖς Λάκωσι φωνήεντες ὡς καὶ οἱ πέρδικες.

Pratinas, em Dimênidas ou Cariátides é singular ao chamar as codornas de:

[codornas de] doce-voz

a não ser que em Flio ou na Lacônia as codornas soem como as perdizes.

712 Ateneu, Banquete dos Eruditos, 624f-625a

καὶ Πρατίνας δέ φησι·

(a)
μήτε σύντονον δίωκε
μήτε τὰν ἀνειμέναν [[Ἰαστὶ]]
μοὖσαν, ἀλλὰ τὰν μέσαν
νεῶν ἄρουραν αἰόλιζε τῷ μέλει.

ἐν δὲ τοῖς ἑξῆς σαφέστερον φησίν·

                     πρέπει τοι
πᾶσιν ἀοιδολαβράκταις
Αἰολὶς ἁρμονία.

E Pratinas diz:

(a)

A Musa tensa não busca,
tampouco a relaxada [[Jônia]],
mas  cultivando a metade
do campo, eoliza teu canto.

e de maneira mais clara nos versos seguintes:

(b)                
               Eis o que convém
a todos os aedos paroleiros:
a harmonia eólica.


[Tradução: Rafael Brunhara]
        

sábado, outubro 13, 2012

Píndaro: 1ºOde Olímpica - A Hierão de Siracusa, Vencedor na Corrida de Carros (Tradução de Jacyntho Lins Brandão)

Excelente a água, e o
ouro inflamado fogo
enquanto esplende
na noite, superior a soberba riqueza.
Se vitórias ressoar
desejas, meu coração,
não mires, além do sol,
de dia, outro mais quente
e brilhante astro, no
céu deserto,
nem disputa melhor que as de
Olímpia proclamaremos.
Daí o famoso hino se ornamenta
com o engenho dos sábios, para celebrar
o filho de Crono vindos ao opulento
e feliz lar de Hierão,


que detém o justo
cetro na frutífera
Sicília, colhendo
o ápice de todas as virtudes.
E gloria-se também
com as primícias dos cantos
com que nos recreamos,
varões amiúde em torno da mesa amiga.
Mas a dória li-
ra do gancho
toma! Se, em algo, de Pisa
e de Ferênico a graça
subjugou-te o intelecto com dulcíssimas reflexões,
quando, junto do Alfeu, lançou o corpo,
não esporeado, no estádio apresentando-se,
e à vitória uniu seu dono,


de Siracusa o cavalei-
ro rei. Brilha-lhe a glória
na insigne co-
lônia do lídio Pelops.
Dele o poderoso sa-
cudidor da terra enamorou-se,
Posseidon, desde que a ele, da pura ba-
cia, retirou Cloto,
com marfim a brilhante espádua adornada.
Ah! muitas as maravilhas. E
talvez dos mortais
a fala ultrapasse o verdadeiro discurso:
entrelaçados com mentiras coloridas
enganam os mitos.


A Graça, que tudo cons-
trói de doce para os mortais,
trazendo hon-
ra, também o incrível maquina crível
ser muitas vezes.
Mas os dias vindouros
testemunhas sapientíssimas.
É ao varão conveniente dizer,
sobre deuses, belezas: me-
nor pois a culpa.
Filho de Tântalo! de ti, ao contrá-
rio dos predecessores, falarei:
quando convidou teu pai para a corretíssima
festa e para a amável Sípilo,
em retribuição aos deuses banquete oferecendo,
então o de brilhante tridente raptou-te,


domado no âmago pelo desejo,
e em áureos cavalos
para a altíssima mora-
da do honradíssimo Zeus te transportou.
Para aí, em tempo posterior,
foi também Ganimedes
com Zeus, para a mesma finalidade.
Como desaparecido estavas, nem
à mãe, procurando muito,
pessoa te trouxesse,
contou logo em segredo
algum dos invejosos vizinhos
que, em água, em fogo fervendo no máximo,
com faca te deceparam membro a membro
e à mesa, por fim, as carnes
tuas repartiram e comeram.


A mim impossível gulo-
so um bem-aventurado dizer. Abstenho-me.
Danos cabem amiúde aos caluniadores.
E se de fato algum varão
mortal os guardiães do Olimpo
honraram, este era Tântalo. Mas
então digerir
a grande ventura não pô-
de. Pela insolência recebeu
pena prepotente. Por sobre
ele o pai sus-
pendeu pesada pedra, sobre ele próprio,
a qual sempre desejando da cabeça afastar
distancia-se da alegria.


E leva esta vida sem
remédio, tortura incessante,
com três, quar-
to suplício, porque dos imortais roubando,
para os convivas da mesma idade,
néctar e ambrosia
deu, com que imperecível
o fizeram. E se a deus algum varão
espera ocultar o que
faz, erra.
Por isso devolveram seu filho
os imortais de volta,
para a efêmera raça dos varões, de novo.
Na flor da idade, quando
penugens o negro queixo lhe cobriam,
projetou o casamento preparado


em Pisa: junto do pai a i-
lustre Hipodâmia
obter. Perto che-
gando do branco mar, sozinho na escuridão,
invocou o tonitroante
Tridentino. E este a ele
bem junto dos pés apareceu.
A ele disse: "Dons amáveis
da Cípria trago. Se algo, Posei-
don, em graça
lhe cai, imobiliza a lança
brônzea de Enômao,
e a mim, sobre o mais veloz dos carros, transporta
à Élida, e à vitória conduz.
Após três e mais dez varões ter matado,
pretendentes, difere o casamento

da filha. O grande pe-
rigo débil homem não toma.
Mas morrer para eles inevitá-
vel. Por que alguém, anônima
velhice na sombra le-
vando, se consumiria em vão,
de todo belo privado? Mas para mim
é que esta disputa
será proposta. Tu o resulta-
do querido dá."
Assim falou; não em
vão aplicou-se
às palavras. A ele honrando, o deus
deu um carro áureo e ala-
dos infatigáveis cavalos.


Conquistou o forte Enômao
e a virgem por esposa.
Gerou príncipes
seis filhos zelosos das virtudes.
E agora com cruentas libações
magníficas está envolto
perto do Alfeu jazendo,
em túmulo freqüentado jun-
to do mais visitado, pelos estrangeiros, dos alta-
res. E a glória
de longe brilha das O-
limpíadas, no estádio
de Pelops, onde a velocidade dos pés se disputa
e o ápice da força persistente.
O vencedor, pelo resto da vida,
tem doce serenidade


por causa das vitórias. A sem-
pre diária excelência
suprema vem
para todos os mortais. Eu coroar
aquele com eqüestre modo,
em eólio canto,
é preciso. Mas sei um estrangeiro
por igual do belo
conhecedor e também em força
mais poderoso
dentre os de agora não haverem de ador-
nar com as gloriosas pregas dos hinos.
Um deus que é protetor com tuas coisas preocupa-se,
tendo este cuidado, Hierão,
com tuas inquietações. E se logo não te deixa,
ainda mais doce esperaria,


com o carro veloz, glo-
riar-te, achando corrente via de discurso,
indo junto da lumi-
nosa colina de Cronos. A mim pois
a Musa valorosíssi-
ma flecha, em auxílio, provê:
para uns, outros grandes - o su-
premo eleva-se
para reis. Jamais in-
vestigues além.
E a ti o cimo nes-
te tempo calcar,
e a mim assim com vencedores
estar, famoso pela sabedoria entre os he-
lenos sendo em tudo.


Fonte: http://web.archive.org/web/20091027010736/http://br.geocities.com/bibliotecaclassica/textos/pindaro.htm

sábado, junho 16, 2012

Calímaco: Epigramas V, XIII, XVII, XIX [ Edição Gow-Page]


V (29)

Bebe-se num simpósio em homenagem a um rapaz de nome Diócles, cuja excessiva beleza merece ser brindada com vinho extremamente forte, sem mistura com água, que aqui é personificada pela figura do Deus-Rio Aquelôo.

Ἔγχει καὶ πάλιν εἰπὲ ‘Διοκλέος’· οὐδ' Ἀχελῷος
κείνου τῶν ἱερῶν αἰσθάνεται κυάθων.
καλὸς ὁ παῖς, Ἀχελῷε, λίην καλός, εἰ δέ τις οὐχί
φησίν – ἐπισταίμην μοῦνος ἐγὼ τὰ καλά.  

Verte [o vinho] e diz outra vez: “Por Diócles!”; Aquelôo
            não conhece as taças consagradas a ele.
O rapaz é belo, Aquelôo, belo demais; Se alguém
            discorda, que apenas eu saiba o que é belo! 


XIII (43)

Narração do comportamento de um homem no simpósio. Os suspiros denunciam que a sua ferida é causada por amor.  O poeta, experiente no assunto (“ladrão que conhece os rastros de outro ladrão”), compadece-se do sofrimento e tece seu comentário nos dois versos finais.

Ἕλκος ἔχων ὁ ξεῖνος ἐλάνθανεν· ὡς ἀνιηρόν
πνεῦμα διὰ στηθέων (εἶδες;) ἀνηγάγετο,
τὸ τρίτον ἡνίκ' ἔπινε, τὰ δὲ ῥόδα φυλλοβολεῦντα
τὠνδρὸς ἀπὸ στεφάνων πάντ' ἐγένοντο χαμαί·
ὤπτηται μέγα δή τι· μὰ δαίμονας οὐκ ἀπὸ ῥυσμοῦ
εἰκάζω, φωρὸς δ' ἴχνια φὼρ ἔμαθον.

O hóspede não percebia a ferida que tinha; Que triste,
            O suspiro de seu peito (viste?)!  Suspirou,
enquanto libava a terceira [taça]. E as rosas, a despetalar
            da coroa do homem,  caíram todas ao chão.
[O hóspede] está, sim, muito queimado; pelos numes, sem rumo
não o vejo: ladrão sou, e conheço rastros de ladrão.

XVII (37)

Oferenda de certo  Menitas, proveniente da cidade cretense de Licto, para o Deus Serápis.  Dedica aljava e arco (chamado κέρας, “chifre”, que poderia ser um  modo de se referir a um arco composto com este material ou servir simplesmente como metonímia para a própria arma). Assume o tom de uma narração, na qual  o ofertante alude à sua atuação durante o combate contra o povo da cidade de Hespérite, situada na Cirenaica.  

Ὁ Λύκτιος Μενίτας
τὰ τόξα ταῦτ' ἐπειπὼν
ἔθηκε· “Τῆ, κέρας τοι
δίδωμι καὶ φαρέτρην,
Σάραπι· τοὺς δ' ὀιστοὺς
ἔχουσιν Ἑσπερῖται.”

O Líctio Menitas
este arco dedicou,
tendo dito:  Aqui,
dou-te o [meu arco de] chifre e a aljava,
Serápis: mas as flechas,
têm-nas os Hespérites.

XIX (39)

Timodemo, da cidade de Náucratis, oferece a décima parte de seus lucros (provavelmente um objeto, como parece indicar o verbo εἵσατο, “estabelecer, assentar”) a Demeter e à sua filha Perséfone, rrainha dos subterrâneos, cultuada em Pilas (ou Termópilas) em um templo fundado por um rei de nome Acrísio, descendente dos Pelasgos (habitantes antigos e lendários da Grécia).  

 Δήμητρι τῇ Πυλαίῃ,
τῇ τοῦτον οὑκ Πελασγῶν
Ἀκρίσιος τὸν νηὸν ἐδείματο, ταῦθ' ὁ Ναυκρατίτης
καὶ τῇ κάτω θυγατρί
τὰ δῶρα Τιμόδημος
εἵσατο τῶν κερδέων δεκατεύματα· καὶ γὰρ εὔξαθ' οὕτως

À Deméter Pileia,
aqui Acrisio dos Pelasgos
fundou este templo, e também
à sua ínfera filha;
e Timodemo Naucrátida estas dádivas
apôs, dízimo de seus lucros; pois assim prometera.




Tradução: Rafael Brunhara


Bibliografia

GOW, A.S.F.; PAGE, D.L. (ed.) Greek Anthology: Hellenistic Epigrams. Cambridge: Cambridge University Press, 1965, vol, 1.



segunda-feira, julho 04, 2011

Íbico, fr. 286 PMG "Primavera"

Na Primavera, os marmeleiros
da Cidônia, regados pelas correntes
dos rios, lá onde das Virgens
está o puro jardim: e os pâmpanos
a crescerem sob folhagens sombrias,
rebentos de vinha. Mas para mim o amor
não descansa em nenhuma estação;
ardendo sob o relâmpago
como o Bóreas da Trácia,
lança-se de junto de Cípris com sedentas
insânias, tenebroso, desavergonhado,
e com força, de cima a baixo, sacode
o meu espírito.

Tradução de Frederico Lourenço


Fonte: LOURENÇO, F. Poesia Grega de Álcman a Teócrito. Lisboa: Cotovia. 2006